jueves, 29 de octubre de 2009

OSSãE








Ossãe é a mágica das folhas, é o deus das ervas, dono das matas, orixá da medicina, da cura, da convalescença. Mestre do poder curativo das plantas, aquele que proporciona o axé das plantas, ou seja, a força vital, imprescindível à realização de qualquer ritual nos cultos afrodescendentes. Diz um dito Iorubá: Sem folhas não há orixá, pois elas são imprescindíveis aos rituais. Cada orixá possui suas próprias folhas, mas somente Ossãe conhece os seus segredos, só ele sabe como despertar sua força. Desta forma, Ossãe desempenha uma função fundamental pois sem as folhas, sem a sua presença, nenhuma cerimônia pode acontecer uma vez que é ele quem detém o poder de despertar o poder contido nas folhas.

Ossãe é o grande sacerdote das folhas, grande feiticeiro que por meio das plantas pode realizar curas e milagres, pode trazer progresso e riqueza. É nas folhas que está a cura para todas as doenças do corpo e do espírito, portanto cultuar Ossãe é lutar pela preservação da flora, do meio ambiente e da vida. As folhas selvagens, medicinais e litúrgicas estão sob o domínio de Ossãe. Conta a lenda, que no princípio todas as folhas pertenciam a Ossãe. Entretanto Xangô queixava-se que não era justo que somente Ossãe possuísse o segredo das folhas fazendo com que todos os orixás dependessem dele. Assim Iansan ordenou que os ventos soprassem e espalhassem as folhas de Ossãe para que todos os orixás pudessem também colhê-las. Fez-se então uma forte ventania que espalhou todas as folhas e os orixás recolheram o máximo que puderam e assim cada orixá passou a ter suas próprias folhas. Entretanto não bastava apenas ter a folha, era necessário saber como despertar a força, o axé nela contido e este segredo permaneceu com Ossãe que continuou detendo o saber sobre o uso das folhas e do qual todos continuam a depender. Desta forma, sem ele nenhuma cerimônia é possível.


A Folha é o símbolo de Ossãe e ele divide o domínio das matas com Oxossi. Entretanto, enquanto Oxossi representa a floresta como fonte de alimento, Ossãe é a floresta como lugar de magia e encantamento. A personalidade arredia de Ossãe faz dele um orixá extremamente misterioso. A vida em sociedade não o atrai, sua escolha foi o de entrar na mata e descobrir os segredos das folhas. Aliou-se aos espíritos da floresta e tornou-se a tradução mais exata deste espaço sagrado. Nos dias em que o homem agride a Natureza, derrubando árvores, fazendo queimadas, numa atitude covarde e insensata, Ossãe sofre, pois ele é a própria Ecologia. Ossãe é a folha; a árvore; o vegetal; a mata; a floresta, a qual quanto mais densa, mais faz notar sua presença.

Ossãe, assim como as plantas e folhas que comanda, tem inúmeras formas, tamanhos, cheiros e essências. O segredo do poder de curar pela planta está com ele, e é proporcionado por ele. Quando se vai à mata buscar ervas leva-se fumo de rolo, mel e moedas, para agradar ao Senhor das matas e facilitar a busca da erva desejada, pois Ossãe pode escondê-la de nós, criar uma ilusão de ótica e não permitir que a vejamos, mesmo que esteja à nossa frente, bem abaixo de nossos olhos.

Ossãe está presente nos momentos importantes da vida. Na salvação de uma vida, através da medicina; nos consultórios;nas cirurgias; nas farmácias; nas pesquisas químicas e científicas. Afinal, Ossãe é o alquimista, o químico, o farmacêutico, o senhor das poções mágicas e curativas. É o feiticeiro, o bruxo, o médico dos Orixás. Conhecedor profundo do segredo de todas as ervas.

É o pai da homeopatia; aquele que gera a capacidade de cura, pela ingestão ou aplicação de plantas medicinais. E está presente, também, no cotidiano, pois estamos sempre muito próximos do mundo vegetal. É por isso que não devemos arrancar folhas sem motivo justo; derrubar árvores ou fazer queimadas, pois estaremos violando a Natureza, ofendendo seriamente esta poderosa força natural que denominamos Ossãe.

Ossãe é a mágica da folha, a sombra que nos proporciona paz, tranqüilidade e harmonia




Oriki ti Osanyin





AGBÉNIGI, ÒRÓMODÌE ABIDI SONSO ESINSIN ABEDO KINNIKINNI KÒÒGO EGBÒRÒ IRIN AKÉPÈ NÌGBÁ Ò RÀN KÓ SUNWÒN TÍOTO TIN, Ó GBÀ ASO ÒKÙNRÙN TA GÌÈGÌÈ ELÉSÈ KAN JÙ ELÉSÈ MÉJÌ LO ARO ABI-OHO LIÈLIÈ EWÉ GBOGBO KÍKI OÒGÙN ÀGBÉNIGI, ÈSÌSÌ KOSÙN AGOGO NLA SE ERPE AGBÁRA O GBÀ WÓN LÁ TÁN, WÓN DÚPÉ TÉNITÉNI ÀRÒNÌ JÁ SI KÒTÒ DI OÒGÙN MÁYÀ ELÉSÈ KAN TI Ó LÉ ELÉSÈ MÉJI SÁRE.

Aquele que vive na arvore e que tem um rabo pontudo como um pinto. Aquele que tem o fígado transparente como o da mosca Aquele que é forte quanto uma barra de ferro Aquele que é invocado quando as coisas não estão bem. O esbelto que, quando recebe a roupa da doença, se move como se fosse cair O que tem só uma perna e mais poderoso do que tem duas. Fraco que possui um pênis fraco Todas as folhas têm viscosidade que se tornam remédio Agbénigi, o Deus que usa palha O grande sino de ferro que soa poderosamente A quem as pessoas agradecem sem reservas depois que ele humilha as doenças Àròni que pula no poço com amuletos no peito O homem de uma perna que incita o de duas para correr.


A Vida dos Orixás







A Vida dos Orixás











A religião dos Orixás esta ligada à família. As famílias numerosas, originárias de um mesmo antepassado, que engloba os vivos e os mortos. O orixá seria, em princípio, um ancestral divinizado, que em sua vida estabeleceu vínculos que lhe garantiram um controle sobre certas forças da natureza.




O poder, AXÈ, do ancestral-Orixá, teria após a sua morte, a faculdade de encarnar-se, momentaneamente, em um de seus descendentes durante um fenômeno de possessão por ele provocado.



A passagem da vida terrestre à condição de Orixá desses seres excepcionais, possuidores de um axé poderoso produz-se em geral, em um momento de paixão/ira.



Esses antepassados divinizados não morriam de morte natural. Possuidores de um axé muito forte sofriam uma metamorfose nesses momentos de crise emocional, provocado pela cólera e outros sentimentos violentos. O que neles era material desaparecia, queimado por essa paixão, e deles restava somente o axé, poder em estado de energia pura. Era preciso para que o culto pudesse ser criado, que um ou vários membros da família tivesse sido capaz de estabelecer odu orixá, “um vaso enterrado no chão, até mais ou menos três quartos de sua altura, pelos seus adeptos”. Ele serve de recipiente ao objeto suporte da força, “o axé do orixá”. Este objeto suporte é a “base material palpável, estabelecida pelo orixá, que receberá a oferenda e será impregnada pelo sangue do animal sacrificado; devidamente sacralizado, será o traço de união entre os homens e a divindade”.



A natureza desses objetos está ligada ao caráter do Deus, quer por ele ser uma emanação como a pedra, edun ara de Xangô, ou um seixo do fundo do riacho, ota de oxum, etc.






O Orixá é uma força pura, axé imaterial que só se torna perceptível aos seres humanos, incorporando-se em um deles, possibilitando ao orixá, voltar a terra para saudar e receber provas de respeito dos que o evocam. Nas cerimônias de adoração ao ancestral divinizado, que ao incorporar-se ao yiawo (elegún), reencontra, por alguns instantes, sua antiga personalidade espiritual de outra com suas qualidades e seus defeitos, seus gostos, suas tendências, seu caráter agradável ou agressivo, voltando assim, momentaneamente a terra, entre seus descendentes, durante cerimônia de evocação, os orixás dançam diante deles e com eles, recebendo seus cumprimentos, ouvem suas queixas, concedem graças, resolvem suas desavenças e consola seus infortúnios. O mundo celeste não está distante, nem superior, e o crente pode conversar diretamente com os deuses e aproveitar da sua benevolência”.

Na África cada orixá estava ligado, originalmente, a uma cidade ou a um país inteiro. Tratava-se de uma série de cultos regionais ou nacionais, Sangò em Oyó, Iemòjá em Egbò, Ýewá em Egbado, Ogum em Ekiti e Ondò, Osun em Ilesa e Ijebú, Erinlè em Olobù, Logunede em Ijesa, Otin em Inixa, Oxalá-Obatala em Ifé, subdividido em Osolufon em Ifon e Osoguian em Ijigbò.



Os Orixás viajaram, em seguida para outras regiões africanas, levados pelos povos no curso de suas migrações. Se as pessoas formavam um grupo numeroso, o Orixá tomava tal amplitude que englobava o conjunto da família, e alguns olorixás, asseguravam o culto para todo o grupo. Se alguém fixava com sua família restrita a sua mulher e seus filhos, o Orixá assumia uma feição pessoal. Quando o africano era transportado para o Brasil, o Orixá tomava um caráter individual, ligado à sorte do escravo, agora separado do seu grupo familiar de origem.



A qualidade das relações entre um indivíduo e seu Orixá, pois, diferente, caso ele se encontre na África ou no Brasil. Na África, a realização das cerimônias de adoração ao orixá é assegurada pelos sacerdotes designados para tal. Os outros membros da família ou grupo não têm outros deveres se não o de contribuir materialmente para os custos do culto, podendo, entretanto, se assim o desejar, participar nos cantos, danças e festas animadas que acompanham essas celebrações. Devem, além disso, respeitar as proibições alimentares e outras ligadas ao culto do seu orixá, e assim agindo, estarão perfeitamente em regra com suas obrigações.





No Brasil, ao contrário, cada um tem que assegurar pessoalmente as minuciosas exigências do orixá. Tendo, porém a possibilidade de encontrar em um terreiro um meio onde se inserir a um pai ou mãe de santo capaz de guiá-lo e ajudá-lo a cumprir corretamente as suas obrigações em relação a seu orixá, onde se torna abion, logo elegún, obrigações de 1, 3 e sete anos, onde recebe o título de Egbomi (o meu mais velho), onde nesta fase o egbomi já pode abrir o seu próprio Egbé.

Existe, porém uma lenda sobre Ilè Ifé, onde diz que a terra se espalha criando uma grande sociedade entre povos iorubas etc... No Brasil, temos essa interessante representação dentro dos terreiros. A “cumieira”, onde representa o Orun (céu) e o “ariaxé”, representando o Ayé (terra). A partir daí, se cria uma grande sociedade, o Egbé. E a terra gira representada pelos orixás dançando em volta desse Egbé.





OSUMARE ou ESUMARE





OUTRO ÒRÌSÀ QUE SUSCITA POLÊMICA, PORQUE DIZEM QUE É TAMBÉM SER MÉTÀ-MÉTÀ, O ERRO TAMBÉM COMEÇA POR AÍ, POIS, COMO JÁ DITO ANTES, MÉTÀ É O ALGARISMO TRÊS E NÃO DOIS, COMO SE ENTENDE.






Então acho que só mesmo levando na brincadeira essa história de métà (três): deve ser a turma do terceiro sexo que quer incluir o òrìsà como mais um “coleguinha”. Não censuro e nada tenho a haver com a vida particular de cada um, mas, as pessoas precisam saber separar a sua vida íntima da vida religiosa. Não, querendo achar desculpas para seus atos e suas preferências culpando os òrìsà.

há controvérsias sobre a origem de ÒSÙMÀRÈ, que dizem ser de origem jeje, e outros, dizem ser de origem yorùbá. Existe na mitologia yorùbá a história sobre Òsùmàrè. O seu correspondente Jeje seria ou é Besén. Com a mescla das duas “nações” é que é que incorporaram e mixaram mutuamente suas mitologias, causando um pouco de confusão. Mas, segundo a lenda yorùbá, Òsùmàrè era um dos ministros de Sàngó, e que era responsável pelo suprimento de água potável no ayé. E acreditava-se que ele (pois, segundo a mitologia yorùbá, Òsùmàrè é masculino, também sem androgenia) transformava-se numa grande serpente que baixava sua boca até o mar sugando a água necessária para a vida no ayé, e que era devolvida em forma de chuva. por acreditar-se ser o arco-íris essa serpente de Òsùmàrè, é que ele foi identificado com a imagem da serpente. Penso eu, que essa história de macho e fêmea para Òsùmàrè, surgiu do folclore popular, onde dizem que em se passando sob o arco-íris, os meninos virariam meninas e as meninas virariam meninos. Mas, todos sabem que isso é uma brincadeira, mas, o caso é que muita gente levou a sério e acreditou nisso, e outros ainda, gostariam tanto que isso fosse verdade, aí complicando e embaralhando o assunto. Na mitologia yorùbá, não existe o “macho e a fêmea”, nem é necessário fazer oferendas com casais de animais. O mais antigos tinham ciência da forma masculina de Òsùmàrè, tanto que o sincretisaram com São Bartolomeu. Eles não o sincretisaram com uma santa da igreja católica, mas, sim com um santo, isto na época em que os negros eram obrigados a somente cultuar santos da igreja católica, então, São Bartolomeu foi escolhido como “capa” ou “testa de ferro” de ÒSÙMÀRÈ.













OSUMARE ou ESUMARE


OSUMARE ou ESUMARE é a única divindade que traz em seu nome a raiz do nome de OLODUNMARE, o Criador - o sufixo MARE. MARE significa "Aquele que sempre é", "Aquele que tem autoridade sobre tudo o que há no céu e na terra e é incomparável", "Aquele que é absolutamente perfeito", "Supremo em qualidades".

Ao sufixo MARE, acrescente-se o prefixo ESU ou OSU. Qualquer uma das formas é igualmente designada para o chamar. Se adotamos o prefixo ESU, significando princípio dinâmico de realização, temos ESUMARE como o detentor de um princípio dinâmico de realização que tem autoridade, ou ação, sobre tudo o que há no céu e na terra; que sempre existiu, existe e existirá, num conceito de eternidade muito próprio dos Iorubás, para quem o fim do mundo é inconcebível. O significado do nome ESUMARE referencia diretamente o próprio papel desse EBORA, na manifestação e execução do projeto de OLODUNMARE, através do qual o ase se esparrama pela terra, enquanto poder de realização, garantindo através de ESUMARE os ciclos em que se operam cada etapa de transformações inerentes ao ritmo da vida, em seu movimento bipolar de fluxo e refluxo, a garantir a continuidade da existência. Nos dizeres de um provérbio Iorubá: KI LO YO LOJU ORUN, ESUMARE YO LO JU ORUN, ou seja, "O que aparece nos olhos de DEUS? ESUMARE aparece nos olhos de DEUS". Esse significado de dinâmica da transformação através dos ciclos, da mesma forma é encontrada ao utilizarmos o prefixo OSU no nome de ESUMARE. OSU, em tradução isolada significa mês, definidor de um ciclo de semanas ou, mais apropriadamente, de um ciclo lunar, outro derivativo de OSU, OSUPA - Lua, onde estão novamente presentes ciclos, os lunares - lua cheia, quarto minguante, lua nova e quarto crescente - definindo o fluxo e refluxo das marés, pelos quais orienta-se a pesca e a caça.




Em alguns lugares da África através de OSUMARE é cultuado OLOJO, o Senhor do Tempo, cujas oferendas somente são oferecidas após manifestação de OSUMARE e para o qual são reservadas as saudações:

OLOJO ONI, IBA O O! "Senhor do Tempo, eu te saúdo!" ou "Senhor de hoje, deste momento, eu te saúdo!". Como se os ciclos fossem gênero do qual o tempo é espécie, ou apenas medida.

Entre os Iorubás, simbolicamente OSUMARE é representado pela chuva e sol simultâneos, acontecimento sinônimo de extrema fertilidade da terra, justificando a afirmação de estar o ase de OLODUNMARE se esparramando por sobre a terra através de OSUMARE.




No Brasil, a primeira imagem desse fenômeno é o arco-íris, justamente resultante da refração da luz do sol sobre a chuva, de fácil associação abstrata, de significado mais prático, associado ao seu produto imediato, a fertilidade, o poder de realização no germinar da semente, cuja importância fica transparente em outro ditado Iorubá:



OJO NRO O, OORUN IRO, IJO NA LEKUN ME BE, ou seja, "Faz chuva, faz sol, hoje o leão vai procriar".



O conteúdo simbólico do arco-íris, porém, não se esvazia frente a importância do significado prático da explicação do fenômeno. Pelo contrário, tem sua qualidade evidente com a visualização desse arco-íris como ligação entre o aiye e o orun.
O processo pode ser descrito como a formação de um círculo onde, em semicírculo, sai da terra, toca o céu e retorna à terra, continuando em direção ao seu centro, em outro semi-círculo, até sair novamente em direção ao céu, quando então acaba por completar um círculo.
Círculo como aquele formado pela cobra que morde seu próprio rabo, outro símbolo de OSUMARE, círculo demarcador de ciclos, desde o aproveitamento da água da chuva, condutora dos nutrientes minerais da terra, até o ciclo da vida, num processo que se origina no orun, se realiza no aiye e cuja morte fornece à terra a realimentação do sistema, produzindo matéria prima capaz de gerar novas vidas.












UM ITAN ODU QUE RELATA A CHEGADA DOS ORISA E EBORA AO AIYE NOS DIZ QUE OSUMARE CHEGA AO MUNDO VISÍVEL TRAZIDO PELO ODU OGBE OYEKU.



ESTE ODU É COMPOSTO PELOS ODU EJIOGBE E OYEKU. ENQUANTO EJIOGBE ESTÁ ASSOCIADO AO DIA, AO ELEMENTO MASCULINO, À LUZ E AO MUNDO DOS VIVOS, OYEKU ESTÁ ASSOCIADO À NOITE, AO ELEMENTO FEMININO, ÀS TREVAS E AO MUNDO DOS MORTOS.
ISSO, SEM DÚVIDA, VEM CONFIRMAR A ASSOCIAÇÃO DE OSUMARE AOS CICLOS, À BIPOLARIDADE E AO FLUXO DE TRANSFORMAÇÕES. TALVEZ ESTEJA NESTA BIPOLARIDADE A EXPLICAÇÃO PARA O FATO DE OSUMARE, NO BRASIL, SER VISTO COMO DE DUPLA SEXUALIDADE, ORA MASCULINO, ORA FEMININO, CONFUNDINDO-SE DESTA FORMA GÊNERO (MASCULINO/FEMININO) COM SEXUALIDADE.







Na África, ao se encontrar pequena partícula de uma pedra constituída do metal mercúrio misturado à outros minerais, principalmente ferro, essa pedra é colocada na água parada onde dispara em movimento oscilatório ondular, avermelhando a água e mimetizando o movimento da cobra.


Esse fenômeno é chamado de emi-OSUMARE e considera-se o momento natural da presença de OSUMARE na terra. Isso é visto com muita alegria e reverência, sendo utilizado em trabalhos para atrair progresso para as pessoas.

É importante ressaltar ainda outro fator significativo a respeito de OSUMARE. Em algumas regiões da África ele é considerado como uma qualidade de OMOLU e assim chamado JAWE, em outras OSUMARE é considerado filho de OMOLU. Em qualquer das situações não podemos deixar de considerar que a tradução do nome de OMOLU é "o filho do Senhor", trazendo mais uma vez a idéia de uma relação particularmente especial de OSUMARE com OLODUNMARE.










OYA – YANSAN




















LOUVAÇÃO À OYA

Oya, Oya, eu louvo Oya
Pelas suas bênçãos
Ilumine-me com a inteligência
Conduza-me para que eu não me perca no mundo
Com cuidado, com cuidado, mulher altiva.
Oya, meu ar refrescante
Não deixe que os maus ventos soprem em nossa direção
Permaneça firme com o seu povo
Oh, segredo da nossa sobrevivência.


















OYA–YÁNSÀN NA ÁFRICA










Ocupando lugar de grande importância entre os Orixás do panteon africano, Oya é, na África, a divindade do Rio Niger, chamado em Yorubá de Odo Oyà. Oya teria sido a primeira esposa de Xangô e a única que o acompanhou quando foi expulso de seu reino fugindo em direção a Tapá. Em sinal de amor e fidelidade ao esposo, Oya recolheu-se em baixo da terra em Irá quando seu marido fez o mesmo em Kossô. Antes de unir-se a Xangô, Oya foi mulher de Ogun, tendo trocado a aparência rude de seu marido ferreiro pela elegância e o garbo de Xangô. Perseguida em sua fuga com o novo amor, Oya foi alcançada por Ogun que travou com ela um combate com varas mágicas por ele mesmo confeccionadas. Como resultado desta luta Ogun foi cortado em sete pedaços e sua mulher infiel foi seccionada em nove partes. O número nove está ligado a Oya, tendo dado origem ao seu nome Iyansan. Verger cita a existência de um culto a este Orixá em Porto Novo, onde é chamada de Avesan e ainda de Abesan nomes que teriam a sua origem mo termo Aborimesan (com nove cabeças), uma alusão aos nove braços existentes no delta do rio Níger. Uma outra etimologia para o nome Iyansan, está ligada à lenda que narra de que forma, depois de seguir as orientações de Ifá para que pudesse ter filhos, deu à luz nove rebentos o que se exprime em yorubá pela frase:




"IYÁ OMO MÉSÀN" (mãe de nove filhos).









A origem do culto a Oya estaria entre os Nupe. Ali, o culto era um ritual de purificação e é a característica conservada de limpar e purificar, que diferencia Oya dos demais Orixás. É nos versos de Ifá que podemos encontrar relatos sobre o surgimento deste Orixá "com um pano vermelho sobre a cabeça" e também como deu à luz o primeiro ancestral que retorna, o qual, por sua vez, se une à uma misteriosa mãe para produzir gêmeos triplos. As gerações subseqüentes destes trigêmeos, formando três famílias, tornaram-se os guardiães da prática do Culto Egungun. De alguma forma Oya está ligada às vestimentas dos egunguns que representam capas protetoras aliadas ao mistério, com significado muito semelhante ao das franjas de mariwo. Uma faixa vermelha indica sempre, a presença do poder feminino. É Oya que protege e defende as mulheres no mercado e seu poder permite que efetuem bons negócios e transações vantajosas. De alguma forma, este atributo está ligado ao seu poder de Ajé, sempre ocultando dos olhos invejosos, os lucros obtidos. Num itan de Ifá encontramos a narrativa da forma como as mulheres, chefiadas por Oya, manipulavam os homens pelo uso das roupas e máscaras de egungun. Vemos aí, no primeiro mito egungun, Oya mostrando o mascarado original, exibindo seu controle sobre ele e usando seus poderes para submeter, aos caprichos femininos, os representantes do sexo oposto. Judith Gleason afirma que:




"... existe uma roupa egungun denominada ”Garanta-que-eu-viva-muito" cuja origem está ligada à lenda que se segue. "Agan, irmão mais velho de Egungun, discutiu com ele sobre essa roupa – o legado de seu pai. Tendo perdido a posse do que considerava propriedade sua por direito, Agan jurou que, se visse alguém usando a roupa, a rasgaria. Um dia veio Oya vestida com ela. Agan a atacou, mas Oya resistiu e venceu a luta. Aliando-se a Egungun, Oya tornou-se líder do culto dos mascarados onde recebeu o título de "Agan-feminina-que-maneja-a-espada". Como resultado Agan não tem roupa, sendo apenas uma voz “. É ainda em Ifá, no Odu Irosun-Osá, que encontramos o itan que relata a forma como Oya adquiriu esta roupa. Após haver oferecido uma oferenda composta de nove chicotes no lado direito, nove no lado esquerdo e nove galos capazes de cantar, Oya deveria dirigir-se ao mercado carregando a sua oferenda e lá chegar com a cabeça inteiramente coberta com um pano vermelho. As pessoas, que nunca haviam visto nada semelhante, ficaram admiradas e curvaram-se em sinal de reverência à estranha aparição. O tempo passou e Oya deu à luz nove filhos que gostavam de brincar com panos sobre a cabeça, embora a mãe recomendasse que não agissem desta forma. Cobertos de panos os filhos de Oya iam ao mercado onde divertiam-se assustando as pessoas. Como castigo por sua desobediência, as crianças foram acometidas de uma doença misteriosa e, para obter meios de curá-los, Oya foi consultar Ifá. Um novo procedimento foi recomendado. Um galo deveria ser sacrificado sobre cada pano e a mãe deveria, a partir de então, permitir que os filhos continuassem indo ao mercado cobertos por eles. Tudo foi feito e, quando seus filhos voltaram ao mercado, Oya recomendou que cada um deles levasse um chicote denominado "ìsán ni òpáku" – (Vareta da morte). Então Oya disse: "O que aconteceu é longo (é gùn)", o que significava dizer que aquilo deveria ser perpetuado. Por isto, no culto egungun africano Oya porta o título de "L’Aye Wu Egungun Ode Orisá Oyá". Os ixan ni opaku anteriormente referidos, são feitos com varetas finas e flexíveis da planta "àtori", cortadas ritualisticamente. São as representações visíveis dos segmentos de tradicionais linhagens familiares. Amuisan, o dançarino que, por força de sua arte, foi agraciado com a roupa do falecido pai, é personificado nessa vareta controladora. Oya ostenta ainda o título de "Alákòko" (Dona do akokô), árvore sagrada pertencente a Ogun, cujas propriedades mágicas são controladas por Iyàmi Osorongá, a Grande Mãe dos Pássaros da Noite, personificação das Ajés (feiticeiras). É com a madeira do akokô, representação viva de Oya, que são confeccionados os bastões mais sagrados do culto dos ancestrais. À medida que o conceito religioso de Oya evoluiu, a Orixá deixou de ser uma mulher-feiticeira qualquer, adquirindo o complexo status de "Deusa da Morte", dotada do mesmo poder vital (o poder de ajé) comum a todas as mulheres. Oya é também a dona do mercado. As mulheres que exercem atividades comerciais adquirem importância e independência econômica, deixando de serem vistas como simples máquinas-de-fazer-filhos. É Oya quem as impele à tal atividade. Na África existe um templo de Oya mantido por mulheres sob o comando de "Onirá" - a grã-sacerdotisa - onde uma grande máscara representando-a é guardada. Por trás dos panos coloridos que adornam a grande máscara existe a gravura de um caçador em tamanho maior que o natural. Além do mercado, Oya manifesta-se também na floresta ou nas matas. Nestes locais assume a forma de um animal, o búfalo africano, que incorpora diversas características associadas à Oya. Uma belíssima história de Ifá relata as transformações do búfalo em mulher e da mulher em Orixá. A lenda conta que Oya, na forma de búfalo, apaixona-se por Ogun e, para poder casar-se com ele, metamorfoseia-se em mulher. Embora os búfalos machos adultos sejam de cor marrom-escuro, quase negros, as fêmeas são avermelhadas. Coincidentemente, as mulheres africanas costuma pintar a pele de vermelho de forma a tornarem-se mais atraentes aos homens. Vê-se ai, mais uma vez, Oya, deusa-búfalo, interagindo com o ser humano. Na floresta, a Deusa da Morte e a Deusa da Caça fundem-se e tornam-se idênticas. Aí, sua responsabilidade é preservar a vida do caçador providenciando a morte da caça. É com aparência de caçador que Oya, a deusa implacável, assume a iniciativa de um processo onde o caçador representa o herói que elimina a besta selvagem e perigosa.




"Não é pela carne,
Mas pela segurança da caça,
Que caçamos.
Se você pensa que a carne é o nosso objetivo
Nós voltaremos!
A carne pode ser encontrada em casa
Ou num açougue."








Desta forma, Oya vagueia pela floresta ao lado de Oxóssi, o caçador por excelência, e ali, revela-se como morte representada pelos apetrechos de caça e expugnada pelos amuletos dos caçadores. Oyá é, no entanto, feiticeira das mais poderosas. É apaixonada pelos caçadores e respira fundo na floresta sob o cadáver do animal abatido. Os caçadores africanos possuem um amuleto chamado "dibi" que os torna invisíveis aos animais selvagens. Esse amuleto possui o "axé" originado de "Do Kainissa" – a mulher-búfalo-feiticeira.




"A luta do grande búfalo não atrai os covardes".





São os fios de contas que determinam a primeira etapa da afiliação de um ser humano com seu Orixá. Como todos os Orixás na África, Oya também possui fios de contas de cores próprias. As contas de Oya são finas, de cor castanha, às vezes entremeadas por outras vermelhas. Existem dois nomes yorubá para as contas de Oya:



1 - Oyadokun (Oya do kin) – Oya se transforma num cordão.



2 - Oya romi - Oya se derrama sobre mim.



No segundo nome nota-se claramente que, quem usa o cordão, fica inteiramente coberto (protegido) por Oya.





ÈÉPÀÀ HEYI!




Oyá é saudada com a frase ÈÉPÀÀ HEYI ! Onde "èépàà" representa uma recomendação de calma, expressando quase terror diante de um poder incontrolável para o homem e "heyi" é a reprodução do brado gutural emitido por Oya quando, incorporada em seus filhos, identifica-se aos presentes. Novamente é num verso de Ifá que podemos encontrar e origem deste brado. A descrição da origem do grito contida no oráculo apresenta-o como reflexo da violenta ameaça da deusa, em decorrência da negligência dos homens, de destruir o mundo e não apenas torná-lo seco e estéril como pretendeu Oxun.




Flechas-de-caça-colocam-o-caçador-em-dúvida
Chuva-torrencial-dispersa-o-mercado-do-rei-de-Ifá
Estes são os nomes dos sacerdotes que
Consultaram Ifá para Olúgbìjì, uma pessoa de bem
Quando o encontraram em meio à rebelião.
Há um Orixá, disseram os adivinhos, na sua família –
Orixá Dona-do-fogo.
Oh, disse Olúgbìjì, essa é Oya.
Ela tem estado na família há muito, muito tempo.
Então você deve oferecer a ela, disseram eles,
Duzentas porções de inhame amassado,
Uma sopa de gbegiri,
Uma cabra branca, seis galos e 21 pedras.
Oya aceitou a oferenda. Ela se preparou.
As pessoas suplicaram: Oya dakun (Oya, nós lhe imploramos!)
Mas Oya não atendeu porque estava decidida
A destruir completamente os inimigos de Olúgbìjì.
E dizer Oya dakun! de nada adiantava.
Eles não a demoveram.
Se você continuar com isso, Oya, disseram as pessoas,
Você destruirá o mundo inteiro.
Você tem que aprender a aceitar um pedido.
Vá comprar um escravo, Oya, eles disseram.
Um escravo saberá como respeitá-la.
Ele conhecerá todas as suas proibições
E ensinará as pessoas quando se arriscam a ofendê-la.
Ele fará seu nome cada vez mais conhecido.
O nome deste escravo era Ehin (dente)
Que nome esquisito! Disse Oya. Deve ser Heyi, ela bradou.
Depois disso, sempre que Oya se enfurece
As pessoas chamam Heyi,
Que é o que a pessoa possuída por Oya chama, Heyi!
Mas a pessoa possuída não chama, não sabe!
É a própria Oya que está chamando.









A iniciação no culto não se extingue no rito da "feitura", é contínua e se estende até a obrigação de sete anos. O iniciado assimila gradualmente, durante este período, a personalidade de seu Orixá. Quando se trata de Oya esta internalização torna-se por demais difícil, se não impossível. Os aspectos de Oya são contraditórios, chocam-se de tal forma que se tornam totalmente incompatíveis e isto nos leva a um questionamento: Será que existe uma pessoa que assuma, no seu quotidiano e de forma integral o tipo Oya?


Na Nigéria, os dois aspectos de Oya são exclusivos em si mesmos. Os santuários de Oya associados ao Egungun-Oya, Mãe-dos-mortos, são evitados por adeptos do culto de Oya-Ajere – aquela que transporta o recipiente do fogo, o que denota que a incompatibilidade dos aspectos da deusa provoca a separação, até mesmo, dos seus fiéis. Oya é versátil e podemos observar que:



1 – Por sua ligação com o vento e as folhas, foi mulher de Ossain.



2 – Como esposa de Ogun, ressalta seu aspecto de guerreira.



3 – É parte mulher e parte animal em sua ligação com Oxóssi.



4 – Como esposa de Xangô é fiel e dedicada, sendo aí o fogo que traz o poder.



5 – Como o rio que tem o seu nome, Oya é sensual, apaixonada e disciplinada.



OYA É PROTAGONISTA DE DIVERSOS ITANS DE IFÁ ONDE SEUS FEITOS DESTACAM A DICOTOMIA ONDE OYA IGBALÉ USA ROUPAS COLORIDAS E COBRE-SE DE JÓIAS EXTRAVAGANTES E OYA AJERE GOSTA DE AVENTURAS, É MULHER FÉRTIL QUE NÃO SE ADAPTA AO AMBIENTE DOMÉSTICO.



EM OYEKU OWÓNRIN OYA TOCA O FOLE PARA EGUN DANÇAR.



EM ODI BARA FOGE NA COMPANHIA DE XANGÔ E, ALCANÇADA POR OGUN EMPREENDE LUTA EM QUE É CORTADA EM NOVE PARTES.



EM IROSUN OSA SURGE COM UM PANO VERMELHO NA CABEÇA E ESTABELECE O CULTO DE EGUNGUN.



EM OSAGUNDÁ ABANDONA SUA FORMA DE BÚFALO PARA CASAR-SE COM OGUN.



EM OTURAGBE LUTA COM OXUN PELO AMOR DE XANGÔ E AS DUAS SE TRANSFORMAM EM RIOS.



EM IRETEGUNDÁ OYA QUER DESTRUIR O MUNDO E ADQUIRE UM ESCRAVO QUE AGE COMO MEDIADOR ENTRE ELA E OS HOMENS.



EM OFUNSÁ É UM FURACÃO APAZIGUADO POR CARACÓIS.



E EM MUITOS OUTROS ODUS ENCONTRAM-SE REFERÊNCIAS E LENDAS RELACIONADAS A ELA.




Claude Lepine apresenta Oya como uma força compulsiva de múltiplos aspectos: Está ligada à água das chuvas e às tempestades. É relacionado ao vento, ar em movimento, que arranca as telhas das casas e derruba as árvores. Sua essência é o fogo, representado pelo raio – fogo em movimento. Tendo vindo de um lugar distante e por desconhecer o idioma do local onde se encontra, Oya "fala" fogo. Está associada aos caçadores e aos animais selvagens, sendo, neste aspecto, uma divindade das florestas. Representa o perigo de morte iminente para o caçador pelo seu poder de transformar-se num animal selvagem e violento. Está ligada ao primeiro ancestral humano, semi-animal – o homem pré-histórico. Controla os mortos (eguns) sendo responsável pelo ritual de assentamento dos ancestrais masculinos. Representa o elo entre as gerações passadas e futuras. É a mulher cheia de iniciativa, turbulenta, agitada, sendo, por vezes, autoritária, combativa, ciumenta e temperamental. Apesar de sua independência e desobediência, é esposa dedicada ao marido.



"A chuva nunca cai novamente.



Pênis definhou em chicote para toda a cidade,



Vaginas secaram como bolsas de couro.



Todos os pequenos rios estão morrendo de sede



E todos os córregos se adornam de folhas mortas."

















OYA NO BRASIL





No Brasil o culto à Oya é muito concorrido. Nos candomblés seu fio de contas variam de forma e até mesmo de cores, podendo ser composto de contas marron-telha, vermelhas ou cor de vinho vitrificadas. Verifica-se, ainda, a existência de um fio de contas especial pertencente a Oya mas de uso comum a todos os iniciados de quaisquer Orixás. Este fio de contas, denominado runjebe (do dialeto fon "Hunjevi") é de origem jêje, mas seu uso foi adotado pelos seguidores dos candomblés de origem nagô assim como pelos de origem bantu. O runjebe, além de determinar a responsabilidade de um correto comportamento ritual indica a plena aceitação da religião por parte de quem o possui. É parte integrante e de grande importância nos ritos fúnebres do axexê (do yoruba àsesé – diminuir ou neutralizar o asé). Os adeptos guardam o axé recebido por ocasião de suas iniciações em recipientes sagrados, denominados genericamente de ibás (Igbá – ventre ou cabaça), que consideram como altares e moradas de seus Orixás. Por ocasião da morte de um iniciado, seus ibás são destruídos para que a energia individualizada neles contida possa ser liberada, reintegrando-se ao todo. No entanto, se um Orixá desejar continuar a residir no seu recipiente, sua vontade será respeitada e outra pessoa indicada pelo oráculo ficará encarregada de seus cuidados. O axexê é território predominantemente de Oya. Nenhum outro Orixá se apraz em relacionar-se com os funerais porque, sendo forças de vida, não se misturam com a morte. Oya, tendo um pé em cada mundo é a exceção desta regra. Todavia, como todas as substituições são admissíveis na religião yorubá, na falta de uma filha de Oya, uma de Ogun ou de Obaluaye poderá substituí-la no ritual do axexê. Da mesma forma que os ibás do falecido são destruídos, as roupas ritualísticas são rasgadas e seus fios de contas rompidos. Mais uma vez surge a exceção da regra, o runjebe, ao invés de ser partido é introduzido na boca do morto para acompanhá-lo na sepultura. Este sagrado fio de contas, da mesma forma que o Orixá a que pertence, está ligado aos dois mundos sendo, por isto, chamado de "o fio de contas da vida e da morte". No Brasil a dualidade de Oya é também notória. Existe uma Yansan ligada aos eguns, denominada "Oya-Bale", nome derivado de "igbale" local onde, na Nigéria, o morto se materializa para se exibir publicamente. Uma outra Oya, a que carrega o fogo de forma sensual e exuberante como sua correspondente nigeriana, é também conhecida como "Oya de Esteira”, pois acredita-se que carrega sempre uma esteira para ser estendida sempre que surgir um amante de seu agrado. É este aspecto de Oya que realiza a dança do "quebra-pratos", repleta de movimentos e gestos sensuais. Esta dança, embora mantenha uma referência aos rituais fúnebres, representa uma espécie de compensação à ação mórbida de Oya-Bale.



"Arrastando ao longo da mágoa



Lutando dolorosamente,



Venha aliviar nossos espíritos, Oya.



Filhos de Oya nós somos!"





OYA NO CARIBE




A FU LELE ADE O, A FU LELE, A FU LELE A DE O, A FU LELE. "OYA KARA BELOKO, A FU LELE, OYA BAMBA LA YILE, A FU LELE!"



(O vento da tempestade está chegando, um vento forte, O vento da tempestade está chegando, um vento forte, Oya gosta de um amante resistente, vento forte, Oya baila uma dança maliciosa, vento forte!)


Orixá dos mais cultuados no Caribe, em Cuba Oya-Yansan é sincretizada com Nuestra Señora de la Candelária. Naquele país seu fio de contas é bem mais elaborado, composto que é de nove contas castanhas e nove contas de um tom especial de marrom, riscadas verticalmente por duas listras finas de cor negra, margeadas de branco, entre cada conjunto de nove contas, separando-os, uma conta vermelha deverá estar sempre presente. Ali, EMBORA NÃO SE SEPARE OYA EM QUALIDADES COMO SE FAZ COM OUTROS ORIXÁS, CONHECEM-SE NOVE CAMINHOS DA DEUSA QUE DIFERENCIAM-SE DE ACORDO COM SUAS DIVERSAS ATIVIDADES: 1 – AWADA IYA, 2 – OKARA INÃ LO LOYIN.;3 _ BOMI BATA.;4 – ORIRI.;5 – IYANSAN;6 – FINAMALU.;7 – ADELEYE; 8 – ALELEMU; 9 – YEDEME.

Em Cuba Oya dança tendo nas mãos uma espada e um erukere (chicote) cujo cabo é carregado com ingredientes mágicos obtidos dos diversos vegetais que lhe pertencem. Para apaziguar a fúria de Oya, os santeros Cubanos recomendam oferecer-lhe um adimu composto dos seguintes elementos:


9 pedaços de carne bovina temperados com dendê e mel.



9 peixes pequenos temperados da mesma forma.



Um purê de inhame com ori da costa e noz moscada moída moldado em forma cônica .



9 abius roxos.



9 sapotis.



9 berinjelas cortadas ao meio no sentido vertical e fritas no dendê.



9 cebolas pequenas descascadas, cosidas e temperadas com vinho tinto e melado de cana.



Esta oferenda é depositada diante do ibá de Oya e, depois de 24 horas, é despachada na águas de um rio.



ORIKI DE OYA (Coletado em Cuba)








Iyagba ni afefe ni ku.
Orisá ni wájú re
Mesan baiya ati
Mesan aso wiwo ni gbogbo iri.
Obinrin ni ase funse gbogbo afejika
Ni na gaseke bawo nisale
Ati muwa Iku bawo unló
Na gbogbo na burukú awafé ti iwo gbana.
Oki ni okan ninjin gbogbo omó beru iyuló
Nigbati iwo wa wuwu ti soró kpele re manan
Lojú orun gbogbo awá na kunle ati na sure
Nigbati gbo rere fun wi ti na gbogbo
Ati gigun na wá si gbogbo
Modupé ni na orukó
Ni na omó laye.





*TRADUÇÃO:



Rainha do Vento da Morte.
Orixá que possui nove cortes no rosto
E nove saias de todas as cores.
Mulher que provoca remoinhos
Que agitam em cima e em baixo
Que tanto traz como afasta a morte e todo o mal.
Nós te saudamos e suplicamos
Que atendas nossos rogos,
Pois é grande o nosso respeito,
Oh, mãe que fala alto através dos raios
Que riscam os céus.
Nós, teus filhos, nos prosternamos
E de joelhos pedimos que nos proteja
E torne nossas vidas longas.
Nós te damos graças,

Todos os filhos desta Terra.




ÀDÚRÁ OYA (Nigéria)




Eeepa Oya o!
Ma dagí ofo sile wá o,
Aféfé ejó kó ma fé lu wá o!
Sé wa l’oge o.
Orí mi, bá mi sé o.
Orí mi, bá mi sé è é.
Orisá Oya, bá n’sé tèmi.
Bérin ba gan, ní gbó, jinìjini, a móde e e.
Oya má jé ki jinìjini ó un wáà.
Oya má jé à mósi.
Oya lola, j’òwó ma jósi ó kàn wá.
Oya òríri.
Má jé á ríkú èwe o.
Onà kó ma di mo wà ó.
Oya á ji lodu.
Ma f’idà re bá wa wí.
Oya a r’iná bora bi aso.
Ma f’iná ré jo wá.
Efufu lèlè tí n’dagí lókèlókè.
Má dagi léyin kidè wa o.
Gbe ijà wá jà o.
Asán, òfo, kó má je tiwa o!

*TRADUÇÃO



Eeepa Oya!
Derrube, em minha casa, as árvores que atrasam a vida.
Que o vendaval dos problemas de justiça, não sopre em minha casa.
Faça-nos belos.
Minha cabeça, me ajude.
Minha cabeça, me ajude.
Oya, ajude a resolver os meus problemas.
Quando o elefante brada com sua tromba na floresta,
A alma do caçador gela.
Oya, não nos deixe com a alma gelada.
Não nos deixe conhecer a pobreza.
Oya, dona da prosperidade,
Não deixe que a miséria nos atinja.
Oya, a charmosa, a elegante.
A que protege as crianças da morte.
Que os caminhos não se fechem para nós.
Oya, que ao acordar usa espada.
Não use sua espada contra nós.
Oya, que possui o fogo e que se veste com ele.
Oya, não nos queime com seu fogo.
Oh, grande vendaval que decepa a copa das árvores
Não corte a árvore do nosso quintal.
Lute por nós!
Que nossas vidas não sejam em vão!
















FONTE: CECAA – BABA IFALEKE